Ligadas pela representatividade

20 out

boundAcho que já contei algumas vezes, ou pelo menos pincelei, de como surgiu o blog, mas parei para pensar como que o primeiro filme lésbico que eu assisti na vida, ainda que sem consciência da temática, mexeu comigo. Eu achava que o primeiro filme que eu assisti era o Amigas de Colégiomas me enganei redondamente.

Eu estava passando férias na casa de um tio e dormíamos na sala de TV, eu e meus primos. Eu gostava de ficar lá porque eles, assim como eu, sempre dormiram muito tarde. Então, um começo de madrugada qualquer meu tio para a TV em um filme que estava começando. Eu devia ter cerca de 12 anos no máximo e não desgrudei os olhos um segundo daquelas duas personagens envolventes.

“Ligadas Pelo Desejo” (Bound, 1996), era esse o nome que aparecia embaixo da tela toda vez que a programação retomava após as propagandas. O filme era uma história de máfia, que eu demorei a entender. Demorei a entender ainda mais porque aquele filme me fascinou tanto e só fui descobrir anos depois, já fora do armário, o que significava a aproximação daquelas personagens.

O filme conta a história de Corky (Gina Gershon), uma ex-presidiária com uma pose bem “butch anos 90”, e seu envolvimento com Violet (Jennifer Tilly, também de Love on the Side), a esposa de um mafioso que cansou de seu relacionamento abusivo e arma com a amante um plano para roubar o dinheiro da máfia e colocar a culpa em seu abusador.

A direção, concepção e roteiro são da Lana e Lilly Wachowsky (sim, as do Sense8), ainda como The Wachowsky Brothers, em seu primeiro trabalho como produtoras e o primeiro filme dirigido por elas.

Mas como isso mudou a minha vida?

Não é fácil se ver representada em telas de cinema, ou não era na época. Eu assistia filmes da disney, filmes infanto-juvenis, comédias românticas, novelas, seriados, diversos outros filmes com envolvimentos amorosos e não me via em nenhum personagem. Nunca!

As meninas se interessavam por meninos, as princesas ficavam com príncipes, as mulheres viviam para arranjar um marido, e outros exemplos que foram muito retratados até o meio/fim dos anos 2000. E eu fui me encontrar em duas criminosas que roubam a máfia.

Duas mulheres que começam a tomar controle das próprias vidas, que se envolvem amorosamente, que tem uma ligação absurda uma com a outra, que tem uma parceria que não se desfaz. Assim eu percebi que gostar de mulheres (ainda que inconscientemente) era algo que acontecia também com outras pessoas, que sentir admiração por mulheres poderosas era algo que me fazia bem e que eu existia!

Eu tomei um susto quando elas se beijaram na tela, eu não fazia nem ideia que aquilo poderia acontecer. Mulheres podem beijar outras mulheres? Como assim?
Mas guardei para mim minhas indagações. Era muita informação que eu absorvi ali, naquele momento, em uma madrugada qualquer, em uma sala de TV qualquer.

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Por isso, essas personagens importam! E talvez por isso elas tenham mudado a minha vida, embora eu tenha demorado para perceber.

Se o filme é bom? Não sei, depende muito do que se está buscando, mas acho que isso não importava para meu eu de 12 anos e segue não importando para o de quase 31.

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Nunca falei sobre The L Word

16 out

Hello, hello, hello!

Assim que eu soube da possível volta de The L Word meu coração acelerou! The L Word foi um marco no começo da minha vida adulta. Eram muitas semanas de espera.

Assisti à série desde a primeira temporada, em DVDs piratas contrabandeados às quartas-feiras no Farol Madalena. Era um alvoroço, uma disputa como se aquela meia dúzia de discos fossem essenciais para a nossa existência. A segunda temporada veio contrabandeada por uma amiga de uma amiga, lá dos Estados Unidos, sem nenhuma legenda, assisti entre uma sexta a noite e um sábado a tarde, sem pausas ou intervalos.

A terceira temporada já foi mais fácil. A Warner anunciou que The L entraria na sua programação de drama. E assim, as segundas-feiras tornaram-se de espera pelas 23 horas. Afinal, como teria um seriado de drama sapatão em outro horário, não é mesmo?

The L Word foi tão marcante que até hoje, 8 anos depois da exibição de seu último (e sofrível) episódio, ainda tem muita relevância na vida de qualquer mulher que está se descobrindo. E é interessante como a série pode ter um peso e uma significância diferente em cada momento da nossa vida.

Eu já assisti ao The L Word umas 4 ou 5 vezes e ainda me pergunto quando teremos uma série com temática lésbica tão relevante e pungente quanto The L Word. Algumas tentaram, até mesmo os produtores de The L Word tentaram, mas isso eu vou falar mais para frente.

Agora, como um grupo de patricinhas padrõezinhas de Hollywood conseguiu conquistar todos os estilos de lésbicas ao redor do mundo? Representatividade! Aquela que a gente tanto fala que importa. The L Word foi a primeira série que colocou lésbicas em papéis centrais, humanizados e não-humorísticos. Inovadora, controversa e atual. A série foi tantas coisas que até hoje, nenhuma outra conseguiu se igualar em seu papel.

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O crescimento das personagens, que foram saindo da futilidade da primeira temporada, é incrível, a carga emocional dos episódios, a construção do roteiro e muito mais. A série tem defeitos? Tem sim. Mas para que focar nisso ao invés da representatividade, não é mesmo?

Claro que aqui eu falo da primeira até a quinta temporada. A sexta é algo que eu gostaria de esquecer. Destruíram alguns personagens, foi um desastre e deixou muitas de nós sem um fechamento decente para a ligação emocional que tivemos com a série ao longo de 5 anos.

A série ainda teve uma tentativa de spin-off que teve apenas o piloto filmado. O spin-off se passava em uma prisão e era protagonizada pela Alice, dando a entender que seria ela a assassina de Schecter (Muito visionária sim! O OITNB original! hahahaha)

Ainda assim, eu nunca tinha falado de The L Word aqui no blog. Eu não estava pronta. Mexer com Bette, Tina, Shane, Helena e Alice era mexer comigo. Mexer com uma parte de mim que ainda luta para estar presente. Elas, as personagens, foram minhas amigas durante anos após a minha saída do armário. Elas acompanharam cada passo, cada decepção, cada transa, cada culpa e cada alívio da Mazzuka de 18 anos, que era completamente inadequada para tudo. Elas representavam tudo que me interessava, quando eu ainda não conhecia quase ninguém.

Eu ainda tive algum fechamento com as minhas melhores amigas lendo uma fanfic da sétima temporada na época. Quem quiser ter uma ideia do que se tratava, vou deixar aqui.

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Algumas curiosidades sobre a série:

  • A personagem Marina teve que sair da série porque a atriz brigou com a Ilene Chaiken, criadora e produtora da série. (Muito triste não ter esse crush nas temporadas seguintes)
  • Ainda sobre brigas, no retorno da série, provavelmente não teremos Tina. A Laurel brigou feio com a Jennifer Beals (Bette) e as duas não se falam há muitos anos. Muitas vezes o retorno da série foi cogitado e em todas a Laurel afirmou que não voltaria. Hoje, ela é uma artista que tem alguma relevância e faz exposições nos EUA e na Europa.
  • O retorno da série pode desconsiderar completamente os acontecimentos da sexta temporada.
  • A sexta temporada é curta pois a produção e o canal não entraram em acordo. A série teve que ser finalizada as pressas e sem a participação da Ilene.

Dá para ver um pouco da Ilene falando da importância de The L Word e de seu retorno aqui embaixo:

Estou muito animada com o retorno de The L Word  e tenho mais algumas opiniões para discutir com vocês, mas The L tem tanto conteúdo que dá para fazer uma série de posts. Quem sabe….

E para vocês, o que significou The L Word?

Beajs!

Um brinde de Canudinho

20 set

margaritastraw3Delicadeza!

Essa é a palavra que resume o filme de hoje. E talvez essa delicadeza se dê ao fato que o filme não tem seu centro sobre a sexualidade da personagem principal, mas sim na evolução e descobertas dela. Aliás, a sexualidade da personagem é uma das coisas que menos importa na trama leve do filme.

Margarita com Canudinho (Margarita with a straw, 2014) é a história de Laila, uma jovem romântica que, por conta de uma paralisia cerebral, possui algumas limitações de mobilidade e de fala. Após uma decepção amorosa, Laila embarca da Índia para Nova York e assim começa sua descoberta sexual e de si mesma.

 

Uma das experiências da personagem principal, interpretada por Kalki Koechlin, é com Khanum, uma jovem cega que ela conhece durante o primeiro mês que está nos EUA. O filme acaba caindo no gênero LGBT da Netflix por conta do envolvimento dessas duas personagens, mas é muito maior do que isso.

A diretora do filme inspirou a história de como pessoas com deficiência exploram sua sexualidade e de como são essas experiências em sua prima, Malini Chib. Você pode ler uma entrevista com a diretora aqui (em inglês).

A delicadeza do filme está na naturalidade da história, da vida dos personagens, do pequeno enredo romântico e na jornada da protagonista com ela mesma.

Indicado para os finais de domingo e para quando você não souber o que assistir.

O filme está disponível na Netflix, o que deixa ele bem mais fácil de achar!! 😉

Casamento de verdade e o problema com roteiros LGBT

14 set

Nada como a boa e velha comédia romântica sapatão, certo?

Essa é a proposta do filme Casamento de Verdade (Jenny’s Wedding – 2014). Talvez o filme tente ser um pouco mais denso e dramático do que as comédias românticas “tradicionais” ao colocar o problema da aceitação dos pais da protagonista ao fato de ela ser gay. Mas é apenas isso, uma pequena tentativa.

O Casamento de Verdade conta a história de Jenny Farrel, personagem da ex-queridinha de Hollywood: Katherine Heigl, que leva uma vida nem tão abertamente gay, apesar de seu relacionamento de mais de 5 anos. O fato é que Jenny nunca se assumiu para os pais, que vivem uma vida alienada à da filha e estão sempre tentado fazer ela arrumar um namorado.

Em um momento de nervosismo durante uma discussão com a irmã, interpretada por Grace Gummer (se você achar ela fisicamente parecida com a Meryl Streep, você não está enganada! Ela é filha da maior atriz de Hollywood), Jenny deixa escapar que está em um relacionamento. Então, a personagem finalmente decide contar para os pais sobre seu relacionamento com Kitty, interpretada por Alexis Bledel (sim, a Rory!), até então vista pela família como a colega de quarto da filha.

O filme aposta mais nos nomes que possui do que na história dele. Do mesmo escritor de Amigas para Sempre, o Casamento de Verdade flerta com a questão de famílias conservadoras e a relação de filhos homossexuais com elas, mas, na minha opinião, falha miseravelmente em diversos pontos.

A personagem de Katherine parece inadequada em sua orientação sexual e em seu relacionamento com Kitty, que por sua vez se mostra uma personagem fraca e sem personalidade. Fica claro que o filme não vai além da superfície, usando de melodramas baratos para tentar se aprofundar.

Existe uma cena em que a personagem discute com os pais sua vida sexual que ao invés de demonstrar que ela está enfadada com a não-aceitação “repentina” de seus pais, para quem ela saiu do armário há no máximo um mês, acaba sendo uma cena grosseira e sem tato. Mesmo o relacionamento das duas personagens que estão se casando é extremamente desconexo e sem química.

Para mim, esse é o problema com muitos dos roteiros de filmes lésbicos. A gente viu isso em Beijando Jéssica Stein, Flores Raras e até mesmo em Azul é a Cor Mais Quente. Os filmes e seus roteiros pecam na construção da história e das personagens, sendo de muitos extremos com as grandes revelações, aceitação e colocando sempre ou uma grande traição ou o casamento com um homem ou uma vergonha em ser quem é para suas personagens lésbicas.

Tá faltando é sapatão escrevendo esses roteiros no lugar de homens e mulheres heterossexuais que apenas imaginam e fantasiam o que é um relacionamento lésbico e p que é se assumir para a família.

Vale assistir ao filme? A minha opinião é que sempre vale… até para saber do que não se gosta ou ter sua opinião.

Alguns usuários disponibilizaram o filme por completo no YouTube, porém está dublado.

O filme está disponível no TeleCine e também para locação no Youtube e outros serviços e streaming. Vocês também poderão encontrá-lo no Stremio e no Popcorn Time.

Me contem depois o que vocês acharam!!

Beajs!

Jovem Aloucada. A adolescência é uma fase difícil!

11 set

Let’s go girls!

O filme de hoje é bem fácil de ser encontrado, pois está disponível na Netflix e chama-se Jovem Aloucada (Joven y Aloucada – 2012).

O filme chileno é baseado na história real de Daniela (Alicia Rodriguez), jovem que criou o blog “Joven y Alocada” para contar em segredo as suas experiências sexuais e sua jornada de descoberta de seu próprio corpo.

O contraponto da descoberta sexual de Daniela no filme é a sua criação por uma família extremante religiosa. Daniela acaba usando suas aventuras sexuais como uma maneira de fugir da criação restita que tem por parte de sua mãe.

 

A história de Daniela é interessante e sua jornada é contada por ela mesma em um blog onde a personagem descreve todas as suas experiências. Claro que toda essa jornada atrapalhada de auto-conhecimento acaba se voltando contra ela, fazendo a personagem refletir de forma mais racional e menos corporal sobre o que tem feito. Mas isso muda alguma coisa? Se prazer é prazer, como se racionaliza desejo?

O filme parte de uma intenção crua de mostrar diretamente os desejos sexuais de Daniela, ou de quase qualquer adolescente da idade dela, mostrando que o anonimato nos da liberdade de expressar o que realmente desejamos, o que o nosso corpo realmente clama.

Não acho Daniela “aloucada” como coloca o título do filme, mas confesso que ela não é muito brilhante. A descoberta sexual fez parte de todas nós em nossa adolescência e, se querem saber, acho que não acaba nunca. Eu, do alto dos meus quase 31 anos, ainda descubro muitas coisas de um mundo infinito de possibilidades sexuais.

Voltando ao filme,  é uma boa indicação para quem quer ver algo fora da estética americana e com um ritmo bom para manter quem assiste entretido durante o filme todo.

Espero que gostem!

Beajs!

E…. ESTAMOS DE VOLTA!!!

11 set

Olá pessoal!

Voltando às atividades. Eu estava ontem sem internet em casa e não possuo tv a cabo no meu quarto, o que é bem triste para um fim de domingo onde você só quer assistir alguma coisa para distrair e relaxar para começar bem a semana. Foi então a hora de resgatar o antigo HD, desses que tem que ligar até na tomada para fazer funcionar.

Achei lá todos os filmes LGBT que já baixei algum dia. Muitos deles nunca chegaram ao Brasil sequer. E isso me levou ao saudosismo de como eu curtia escrever sobre eles aqui, numa época onde não havia representatividade nenhuma na indústria, séries ou o que quer que seja.

Vou voltar a trazer aqui as minhas opiniões sobre eles e compartilhar com vocês tudo que existe sobre o cinema lésbico. Apenas uma coisa muda.. Eu já tomei algumas notificações por infringir direitos autorais com o blog ao colocar aqui links para download e etc. Então agora, eu vou indicar onde vocês podem encontrar o filme de maneira mais fácil, afinal, são muito mais opções no dia de hoje do que era na época em que o blog começou.

Com os novos posts, vou passar pelo catálogo da Netflix, Telecine, HBO, Stremio e PopcornTime. Os dois últimos serviços são baseados no nosso velho amigo torrent, mas de uma maneira muito mais fácil! 😉

Para quem ainda prefere realizar o download, sempre existe nosso bom e velho manual de como baixar um file via torrent. Apesar de antigo, ainda é bastante funcional!

Peço só um pouco (mais) de paciência para conseguir escrever os posts. Mas não se aflijam muito mais, já estou com 2 em produção!

Obrigada sempre pelo carinho de vocês e por não terem desistido nunca desse bloguinho despretensioso que eu gosto de alimentar as vezes!

Anatomia e outros problemas

30 nov

anatomy-2Hello, hello, hello!!

Como estamos todas?!

Hoje vou falar de um filme curto, mas que pode agradar muitas de vocês!

Disponível no Netflix, o Anatomy of a Love Seen (título não traduzido) é um filme para assistir quando se busca algo rápido e envolvente.

O filme de 2014  mostra um drama complicado que acontece nos bastidores de filmagem, além de retratar o fim de uma história de amor que era pra ser pra vida toda, explorando o amor em sua forma muitas vezes confusa, o filme não tem um ritmo “típico”, podendo parecer lento para quem está acostumado com esses filmes de Hollywood e seu ritmo frenético, mas o filme consegue entreter durante seus 80 min. de duração ao mostrar a história de Zoe (Sharon Hinnendael) e Mal (Jill Evyn).

As duas atrizes se apaixonam exatamente ao mesmo tempo enquanto filmavam uma cena de amor. Zoe é uma atriz em ascensão e seu sucesso começa a deixar Mal, uma viciada em recuperação, com medo. Medo da vida e medo de perder Zoe. Após meses de paixão e um término conturbado as duas tem que voltar ao set para filmar a exata mesma cena, mas sem nudez: Luz, câmera, ação!

 

A ideia do filme é passar os dois lados do término de um relacionamento e é retratada como algo único e especial, tentando imitar a realidade.
Os diálogos do filme foram, em grande parte, improvisados, o que dá ainda mais a sensação de realidade e espontaneidade. As atrizes estão muito bem para esse formato e conseguem traduzir a emoção. Em diversos momentos do filme dá para praticamente sentir a dor das personagens, o que torna o filme mais relacionável.

Não se espante se você se identificar em vários momentos com o sentimento que as personagens estão passando!

Talvez esse seja o aspecto favorito de muitos nesse filme: a realidade de tudo!

As 4 principais atrizes, entre elas a diretora do filme Marina Rice Bader, estão bem e possuem uma química e uma dinâmica em cena que torna o filme mais gostoso de assistir. No entanto, o roteiro é um pouco fraco e não dá uma ideia de fato do que está acontecendo para quem está assistindo.

Apesar da história, ou da falta de história do filme, ele mostra uma ótica diferente sobre a natureza do amor e também que as histórias de amor não precisam ser extensas, adramalhadas e conturbadas.

Até por que, na vida real não temos outra opção a não enfrentar os corações que partimos e partidos.

Como é que um relacionamento não funciona mesmo quando as duas se amam profundamente?
Ação!

O Amor em Vermelho Red

16 jun

SIM! SIIM! SIIIIIIM!!!

Temos uma webserie brasileira de temática lésbica!!!!!

Yasss! Come through!

A primeira temporada de RED estreiou em setembro de 2014 e a série já está na segunda temporada! Não é maravilhoso?

A concepção da série veio das cariocas Germana Belo e Viv Schiller e foi inspirada pelos seriados americanos LGBT como The L Word Orange is the New Black, assim como em outros filmes do gênero. Com direção do Fernando Belo, a webserie é uma produção independente que saiu do papel graças a um financiamento coletivo.

A webserie acompanha a história que acontece entre Mel Béart (Luciana Bollina) e Liz Malmo (Ana Paula Lima), duas atrizes que se conhecem durante as gravações de um curta-metragem e seguem o mesmo caminho de suas personagens, Scarlet e Simone, na vida real, iniciando um envolvimento amoroso muito além da ficção.

Com episódios de 8 minutos, Red tem o propósito de mostrar encontros e desencontros amorosos e principalmente a forma inesperada com a qual eles acontecem, às vezes mudando a direção de nossas vidas, mudando o rumo de nossos planos e pondo em xeque aquilo que acreditamos sobre nós mesmos.

1ª Temporada:

Ep. 1 – Meia Verdade
Ep. 2 – A cor vermelha
Ep. 3 – Revelações I
Ep. 4 – Insônias
Ep. 5 – Bebidas e uma confissão
Ep. 6 – Scarlet
Ep. 7 – Revelações II
Ep. 8 – In Vino Veritas

2ª Temporada:
(Episódios novos geralemente às terças-feiras)

Ep. 1 – Bebidas e uma confissão II

Ep. 2 – Baby, baby

Ep. 3 – Incertezas

 

Muito legal, não?

Bom ver produções brasileiras dedicadas à comunidade LGBT!

Vocês podem se inscrever no Canal Vimeo de Red e acompanhar as novidades e os teasers no Facebook!

Espero que gostem!

Beajs!

Bem Acima das Nuvens

10 jun

Clouds_of_Sils_Maria

Não tenho cara mais para me desculpar com vocês. O blog continua sendo aquele filho favorito, mas tantas coisas acontecem que está difícil mantê-lo atualizado como deveria.

Ainda assim, não desistam dele, por favor!!!

Vamos ao filme de hoje!

O filme do qual quero falar hoje não sei se encaixaria no gênero “lésbico” assim logo de primeira, mas sim indiretamente. Estou falando do filme Acima das Nuvens (Clouds of Sils Maria), de 2014. O filme conta com ninguém menos do que a fantástica Juliette Binoche, conhecida por Chocolate, e a queridinha da comunidade lésbica, Kristen Stewart.

A história do filme gira em torno da atriz Maria Enders, Juliette Binoche, que está em um ponto de sua carreira após aos 40 anos de idade e é convidada para uma releitura da peça de teatro que a tornou famosa quando ela tinha 20 anos. Para entendermos a história de dependência da atriz com sua assistente Valentine, Kristen Stewart, temos que entender também qual foi o primeiro sucesso de sua carreira, a tal peça de teatro.

A peça chamada Maloja Snake foi escrita por um autor que se tornou um grande amigo de Maria Enders. Ná época que interpretou a peça pela primeira vez, Maria (Juliette Binoche) estava no papel de Sigrid, uma jovem sedutora que acaba dominando, conquistando e eventualmente levando sua chefe Helena ao suicídio. Na segunda parte de sua vida, Maria é convidada para viver o outro papel, o da madura Helena, a chefe de empresa que se perde nos jogos de conquistas da jovem Sigrid. Após esse convite, a atriz parte com sua assistente Valentine (Kristen) para ensaiar em uma região remota dos Alpes, a Sils Maria.

Ao aceitar o desafio de interpretar Helena, 20 anos depois da primeira versão da peça, Maria luta com sua própria interpretação e com a imagem que tem das personagens da peça, uma vez que já deu vida à forte Sigrid, que na segunda interpretação é assumida pela jovem estrela de Hollywood com tendência para escândalos, Jo-Ann Ellis (Chloë Grace Moretz), Maria se encontra do outro lado do espelho, face a face com uma mulher ambiguamente encantadora que é, em essência, um reflexo perturbador de si mesma em suas fraquezas.

Mas por que Helena incomoda tanto a atriz Maria Enders?

CLouds of Sils Maria

Maria estuda suas falas e o script da peça com sua assistente pessoal, Valentine (Kristen Stweart) e o relacionamento das duas começa a espelhar e complicar as coisas das mulheres na peça. Ao decorrer do filme, fica claro a ambiguidade das personagens e como, tanto a personagem fictícia Helena quanto a atriz Maria, possuem uma dependência muito grande e extremamente passional em suas assistentes mais novas. É interessante assistir a transformação da madura atriz se descobrir através da personagem que odeia.

Apesar de não ser o que a maioria gosta (um romance extremamente lésbico) o filme prende bem pela atração das personagens. Eu ousaria dizer que Valentine talvez seja o melhor papel de Kristen Stewart até agora e Juliette Binoche está como sempre, fantástica, mas Stewart realmente rouba a cena em alguns momentos com sua personagem sutil e surpreendente.

Vale muito a pena assistir!

Para quem tem NET, o filme está disponível no NOW, mas para quem não conseguir, sempre dá para procurar o filme via torrent seguindo esse tutorial.
Procurem pelo título “Clouds of Sils Maria (2014) 1080p BrRip x264 – YIFY” nos torrents. A legenda está disponível aqui

Espero que gostem!

Beajs

A Curiosidade Mora ao Lado… Bem ao Lado…

10 jul
Ruth Reynolds e Madeline Merritt no The Guest House

The Guest House – Lesboteca

Oi meninas! Tem filme “novo” na área!

O filme The Guest House é um filme de 2012, com as atrizes Ruth Reynolds e Madeline Merritt.

Amy, interpretada por Madeline Merritt, muda-se para a casa de hóspedes do chefe dela e faz amizade com sua filha Rachel, interpretada por Ruth Reynolds. Rachel é um par de olhos grandes e azuis, gótica e com 18 anos a caminho da faculdade, querendo ser cantora/compositora. Amy é um pouco mais velha e ainda tenta encontrar seu propósito no mundo, utilizando sua sexualidade feminina para chegar à frente.

Rachel apaixona-se pela confiante Amy, apesar de, a princípio, não ser claro que alguma das duas seja lésbica ou que o romance chegará a algum lugar.

 

 

A proposta do filme é ser um filme leve sobre primeiras descobertas entre mulheres que se apaixonam. Até ai nada mal, já vimos filmes bons com essa mesma proposta, mas…..

O filme é um filme lésbico adolescente.. Quando eu digo adolescente, quero dizer ADOLESCENTE!

O filme começa com o ritmo lento e promissor no início,  mas no meio do filme, a história perde o fio da meada e você pode adivinhar o final. As cenas lésbicas são sensuais, mas puxam para um lado “porn”.. E não é nem “good porn”.

Como grande parte dos filmes lésbicos, o The Guest House deixa a desejar em termos de roteiro… Mas não para por aí, deixando a desejar também em termos de atuação, fotografia, entre outros.. Parece desde o começo um filme caseiro de baixíssimo orçamento.

Sinceramente, o roteiro parece escrito por um homem hétero e às vezes beira uma conotação de pornô lésbico feito por homens e para homens, ou seja, além de tosco, eles não tem a mínima noção de como seria duas mulheres se conhecendo e muito menos se descobrindo. Não me surpreendi ao ver outros filmes que o escritor e diretor de The Guest House fez, vão todos mais ou menos nessa linha.

O que me espanta é que o filme foi produzido pela Wolfe, uma das maiores produtoras americanas de filmes LGBT, responsável por filmes como Kiss Me, Desert Hearts, And Then Came Lola, Elena Undone, April’s Shower, dentre outros muito superiores!

O filme vale??

Bom, só se você for adolescente e tem que assistir só por conhecimento de filmes lésbicos.

Agora, se você espera um filme bom, não assista. A história é terrível e previsível, a qualidade da produção é triste, para dizer o  mínimo…

Mas, pedido atendido, meninas!

Podem achar o filme buscando por The Guest House 2012 DVDRip Xvid UnKnOwN

Legendas aqui

Até a próxima!

Beajs!